ARQUITETURA MODERNA

July 19, 2017

A Arquitetura Moderna é um termo genérico usado para designar os movimentos e escolas que vieram a caracterizar a arquitetura produzida durante grande parte do século XX, principalmente entre as décadas de 20 e 60.

 

Um dos princípios básicos do modernismo era a renovação da arquitetura, rejeitando toda a arquitetura anterior ao movimento, principalmente a arquitetura do século XIX, ideia que foi posteriormente criticada pelo pós-modernismo, que utiliza a revalorização histórica como uma de suas diretrizes. 

 

Imagem 01: Pavilhão Alemão na Feira Universal de Barcelona, projetado por Mies Van der Rohe. Considerado um marco importante na história da arquitetura moderna, sendo conhecido pela sua geometria depurada e pelo uso inovador e extravagante de materiais tradicionais, tais como o mármore, ou de novos materiais industrializados, como o aço e o vidro.

Fonte: http://www.wikiwand.com/pt/Pavilh%C3%A3o_alem%C3%A3o_na_Feira_Universal_de_Barcelona

 

Características:

 

Mesmo se tratando de um momento multifacetado da produção arquitetônica internacional, o Modernismo tinha algumas características que foram seguidas por diversos arquitetos das mais variadas escolas.

 

A primeira e mais clara é a rejeição do repertório formal do passado e a aversão deles à ideia de estilo. Os modernos viam no ornamento um elemento típico dos estilos históricos, um inimigo a ser combatido.

 

Outras características importantes eram as ideias de industrialização, economia e a recém-descoberta noção de design. Os arquitetos seriam responsáveis pela correta e socialmente justa construção do ambiente habitado pelo homem. Os edifícios deveriam ser econômicos, limpos e úteis.

 

Nesse sentido, duas frases guiaram o período moderno:

“Menos é mais” – Mies Van der Rohe

“A forma segue a função” – Luis Sullivan

 

A Arquitetura Moderna pode ser dividida genericamente em duas vertentes: o International Style, de origem europeia e a Arquitetura Orgânica de origem americana.

 

O International Style é nome dado à arquitetura funcionalista. As raízes encontram-se nas obras e ideia de Le Corbusier, Robert Mallet-Stevens e da Bauhaus. Como o modernismo nega as referências históricas, principalmente os ornamentos considerados desnecessários, a produção que começou a ser realizada pelos arquitetos modernos podia se adaptar ás necessidades de qualquer lugar, daí o caráter internacional do movimento.

 

Imagem 02: Sede da ONU, projeto de Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Um dos marcos do funcionalismo e do International Style.

Fonte: http://www.traveler.es/viajes/rankings/galerias/100-cosas-sobre-nueva-york-que-deberias-saber/353/image/16487

 

Já a Arquitetura Orgânica foi uma escola da arquitetura moderna influenciada pelas ideias de Frank Lloyd Wright. Mesmo tendo surgido nos EUA, desenvolveu-se ao redor de todo o mundo. Alvar Aalto é um arquiteto europeu considerado organicista.

 

Frank Lloyd Wright acreditava que uma casa deve nascer para atender às necessidades das pessoas e das características do país como um organismo vivo. Para ele, os edifícios influenciavam profundamente as pessoas que neles residem, trabalham ou rezam, e por isso o arquiteto pode ser considerado um modelador de homens.

 

De maneira geral, a arquitetura orgânica pode ser considerada um contraponto ou uma reação à arquitetura racionalista influenciada pelo International Style.

 

Imagem 03: Falling Water House (Casa da Cascata) – projetada por Frank Lloyd Wright em 1934. Um dos maiores exemplos da arquitetura orgânica.  

Fonte: http://www.wright-house.com/frank-lloyd-wright/fallingwater-pictures/falling-water-fall-house.html

 

Origens:

 

É possível traçar três linhas evolutivas principais nas quais encontramos a gênese da Arquitetura Moderna.

 

A primeira destas origens é a que leva em consideração que a ideologia arquitetônica moderna está ligada à visão do mundo iluminista. Esta linha conecta a arquitetura realizada com as inovações tecnológicas obtidas com a Revolução Industrial e com as várias propostas urbanísticas e sociais realizadas. Segundo essa interpretação, o problema estético é secundário: o moderno tem muito mais a ver com uma causa social que com uma causa estética.

 

A segunda linha leva em conta as alterações que se deram durante o século XIX com relação à definição da arte e de seu papel na sociedade, dando destaque especial ao movimento Arts & Crafts e ao Art Noveau, que mesmo ainda presos às formas e conceitos do passado, propunham novos caminhos para a estética do futuro.

 

Imagem 04: As entradas do metropolitano de Paris feitas por Hector Guimard eram do estilo Art Nouveau

Fonte: http://www.parisencore.com/10/art-paris-metro-signs-entrances.html

 

A terceira linha, normalmente a mais comumente entendida com sendo a bese do modernismo, afirma que a arquitetura moderna surge junto com o início do movimento moderno, surge então com as profundas transformações estéticas  propostas pelas vanguardas artísticas das decas de 10 e 20, em especial o Cubismo, o Abstratismo e o Construtivismo.

 

O que une as três linhas é o fato de que elas terminam no que é chamado de Movimento Moderno na Arquitetura, considerado o clímax de uma trajetória histórica que resultou na arquitetura realizada no maior parte do século XX.

 

Suas características podem ser encontradas em diversos lugares, como: a Bauhaus e Mies Van der Rohe, na Alemanha; em Le Corbusier, na França, e em Frank Lloyd Wright nos EUA.

 

A Bauhaus ou “Staatliches Hauhaus” é uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda fundada por Walter Gropius. Foi uma das maiores e mais importantes expressões do Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo.

 

Tinha como um dos objetivos a união da arte, tecnologia e artesanato. Valorizando e dando destaque para a máquina, a produção industrial e o desenho de produtos.

 

Imagem 05: Sede da Bauhaus em Dessau, Alemanha.

Fonte: http://www.germany.travel/pt/cidades-e-cultura/patrimonio-mundial-da-unesco/galeria-bauhaus-e-suas-obras-em-weimar-e-dessau.html

 

 

Dentre os grandes nomes da arquitetura moderna internacional, três podem ser considerados os mais influentes: Mies Van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier.

 

Mies Van der Rohe: foi um arquiteto alemão, naturalizado americano, considerado um dos principais nomes da arquitetura do século XX.

Foi professor da Bauhaus e um dos criadores do International Style, onde deixou sua marca de uma arquitetura que preza pelo racionalismo, pela geometria clara e pela sofisticação.

 

Os edifícios da sua maturidade criativa usam materiais modernos, como aço industrial e vidro para definir os espaços interiores e a aparência exterior de suas obras. Concebeu espaços austeros, mas que transmitem elegância e cosmopolitismo.

 

Buscou sempre uma abordagem racional que pudesse guiar o processo arquitetônico, sua concepção dos espaços arquitetônicos envolvia uma profunda purificação da forma, voltada sempre às necessidades do lugar, seguindo os princípios do minimalismo.

 

Imagem 06: Casa Farnsworth em Plano, Illinois - EUA. Projeto do arquiteto Mies Van de Rohe.

Fonte: https://fauforma2.wordpress.com/casa-farnsworth/

 

Frank Lloyd Wright: é considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX. Foi o principal nome da arquitetura orgânica. Iniciou sua carreira trabalhando com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago.

 

Wright defendia que o projeto deve ser individual, respeitando sua localização e finalidade. Influenciou, com suas ideias e obras, os rumas da arquitetura moderna.

 

Imagem 07: Museu Solomon R. Guggenhein , NYC. Projeto do arquiteto Frank Lloyd Wrignht, inaugurado em 1959.

Fonte: http://www.99graus.com.br/o-guggenheim-museum-em-nova-iorque/

 

Le Corbusier: é considerado, juntamente com Frank Lloyd Wright e Mies Van der Rohe, um dos mais importantes arquitetos do século XX. Defendia que “por lei, todos os edifícios deveriam ser brancos”, criticando qualquer tipo de ornamentação.

 

Sua influência se estendeu ao urbanismo, sendo um dos primeiros a compreender as importantes transformações que o automóvel exigiria do planejamento urbano.

 

Entre as contribuições de Le Corbusier à formulação de uma nova linguagem arquitetônica para o século XX, encontram-se os Cinco Pontos da Nova Arquitetura:

  1. Construção sobre pilotis: permite o trânsito por debaixo das construção, criando uma relação “interno-externo”;

  2. Planta Livre: como as paredes deixam de ter função estrutural, ganham maior liberdade para definir as divisões internas;

  3. Fachada Livre: Resulta igualmente da independência da estrutura, podendo criar fachadas sem impedimentos.

  4. Terraço Jardim: um meio de “recuperar” o solo ocupado pelo prédio, transferindo-o para cima na forma de um jardim. Os avanços do concreto permitem utilizar a última laja como espaço de lazer.

  5. Janelas em fita: possibilitada pela fachada livre, permitem uma relação desimpedida com a paisagem, de acordo com a melhor orientação solar.

Suas principais obras são a Villa Savoye, na qual aplicou seus cinco pontos, e as Unidades de Habitação em Berlim, onde estabeleceu a prática da construção modular, possibilitando ao arquiteto estudar as proporções humanas aplicadas ao projeto de edificações.

 

Imagem 08: Villa Savoye em Poissy – França. Considerada um dos ícones da arquitetura mundial, projetada pelo arquiteto Le Corbusier.

Fonte: https://www.dezeen.com/2016/07/31/villa-savoye-le-corbusier-poissy-france-modernist-style-unesco-world-heritage/

 

A partir dessa análise podemos ver que o Movimento Moderno trouxe importantes mudanças em todo mundo nos mais diferentes aspectos,principalmente na Arte e na Arquitetura.

A arquitetura moderna foi tão importante e sua influência tão grande que até hoje algumas de suas características podem ser observadas na arquitetura atual e devido a isso, muitas obras desse período são considerados grandes marcos da arquitetura mundial. 

 

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